Filhos da guerra. Órfãos de futuro.

Peço licença para um post monocromático.

Na semana passada, voltei ao maior campo de refugiados e deslocados internos do Paquistão, chamado Jalozai, para acompanhar as atividades de várias organizações humanitárias que o Brasil ajuda a financiar. Como se lembrarão os leitores mais antigos deste blog, escrevi sobre o mesmo campo há dois anos.

Pois um bárbaro ataque terrorista acaba de atingir Jalozai. Há poucas horas, potentes e covardes explosivos encerraram a vida de 15 pessoas e arruinaram os corpos de outras 40 no campo. A bomba foi plantada ao lado da fila para a retirada de alimentos.

Hoje não quero escrever. Adorno dizia que não pode haver poesia depois de Auschwitz. Depois de Jalozai, não tenho mais prosa. Só me resta a fotografia.

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Não sei o nome das pessoas que retratei e que agora homenageio.
Não lhes perguntei de onde vieram, o que pensam, no que sonham, o que temem.
Não sei se todas sobreviveram ao atentado de hoje.

Sei apenas que seus olhares me assombrarão – e me inspirarão – até o fim de meus dias.

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Sobre Thomaz Napoleão

Diplomata, fotógrafo, professor, brasileiro. No Paquistão.
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14 respostas para Filhos da guerra. Órfãos de futuro.

  1. Nossa que tristeza.
    As fotos estão lindas.

  2. Eduardo disse:

    Fico muito satisfeito em saber que o Brasil é representado no exterior por pessoas com esse grau de sensibilidade.

    Obrigado pelo post.

    • Leandro Moreira disse:

      Corrobora o comentário do Eduardo. A sensibilidade diante do infortúnio humano é sinal de grandeza. O post sensibilizou quem o leu tbém.

      Obrigado.

  3. Riane disse:

    Sinto muito, Thomaz. Que os nossos e os teus bons pensamentos possam acompanhá-los de alguma forma…

  4. Jady Gouveia disse:

    A profissão também envolve situações assim… Existe dor em cada canto do mundo. Fotos esplêndidas, realidade não tão bonita. Obrigada por dividir isso conosco.

  5. Ester Lemos Rangel disse:

    Grande são as perdas, nós seguimos nosso cotidiano sem pensar nas guerras que assombram tantos lá fora. É um grande pesar saber que tantas vidas ainda são derramadas. Mas me contento em saber que ainda existem pessoas que lutam pela igualdade e pela paz. Que nossos diplomatas sejam revestidos de benção e proteção, pois apesar da diplomacia ser uma profissão com honrarias, grandes são as batalhas enfrentadas por eles/as todos os dias.

  6. José Claudio Serra Antunes disse:

    Sem palavras….

  7. Daniel Ladeira disse:

    Penso como que se retratava melhor a tragédia do que usando a fotografia em preto e branco quando ainda não existia a fotografia colorida.

    A tristeza e infortúnio que fazem parte das nossas profissões devem servir a nos tornar pessoas melhores, mais sensíveis e fraternas. Parabens

  8. Indira disse:

    Um texto que denota todo o seu sentimento e a sua sensibilidade. Lindo e ao mesmo tempo tão triste.

  9. A.p. Ribeiro disse:

    As fotos ficaram lindas…realmente.

  10. Julianna disse:

    O seu trabalho está ricamente representado pelas fotos. Parabéns.

  11. Rodrigo Chaves disse:

    Parabéns Thomaz, você é um belo representante do Brasil lá fora, e ainda é Puquiano!!!

  12. balaodeletras disse:

    Estou apaixonada pelas fotos. Parabéns.

  13. Angelica disse:

    Voce toca o coração com sua sensibilidade em forma de estórias e fotos. Mais uma vez parabéns! Que inspiração. obrigada Thomaz.

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