Dicas de Santiago – parte 3.

Dando seguimento às dicas de Santiago, vamos para a terceira (e última) parte.

22. Bairro Vitacura. Vitacura é outro bairro rico de Santiago, na parte alta da cidade. De fato, a organização espacial lá é bem interessante, porque forma um gradiente de renda — quanto mais pro leste (sentido litoral), mais pobre, quanto mais pro oeste (sentido Cordilheira) mais rico. A cidade foi crescendo de leste pra oeste, então, a cidade alta é mais nova. Hoje os novos bairros são já no pé dos Andes. O metrô não chega até Vitacura, então é uma parte mais difícil de explorar. De todo modo, lá fica a Las Urracas, uma das melhores baladas da cidade, com duas pistas de dança. Também por lá ficam bons restaurantes como o Cuerovaca, de carnes, e o La Mar, de peixes e frutos do mar. Na Avenida Vitacura está também o Museo de la Moda, que visitei com uma namorada que era estudante de moda – posso dizer que me diverti no jardim de carros enterrados, logo na entrada, e com o DeLorean, o carro-máquina-do-tempo da trilogia de filmes De Volta para o Futuro.

23. As estações de esqui dos Tres Valles (e a secreta Lagunillas). A coisa de uma hora, uma hora e meia da cidade de carro estão as três estações de esqui de Santiago:  La Parva, El Colorado-Farellones e Valle Nevado. Poder esquiar a tão pouco tempo da capital é sem dúvida um dos grandes privilégios de Santiago. Uma pena que seja um esporte muito caro! Há empresas que oferecem transporte da cidade para a montanha. Na Av. Apoquindo (que nada mais é do que a Alameda com outro nome), próximo à estação de metrô Escuela Militar, ficam a Austral (mais barata) e a Ski Total (mais profissional). Em Bellavista há a Total Ski (não é a mesma). Basta chegar cedo (tipo 7h, 8h da manhã) e reservar seu lugar em uma das vans. Valle Nevado é a estação preferida dos brasileiros. De fato, é a que oferece melhor estrutura para os iniciantes e, por estar nas costas da montanha, tem a melhor qualidade da neve. O problema do Valle Nevado é que é a mais cara e mais lotada — as filas são intermináveis (para comprar tickets, alugar esquis e pegar os teleféricos). El Colorado-Farellones é mais barata e mais perto da cidade, eu diria que é uma boa opção para quem já sabe esquiar e não tem problemas com os lifts que te arrastam pelas pernas (invés das cadeirinhas). La Parva, por alguma razão, recebe menos turistas e mais chilenos, mas é parecido com El-Colorado (um pouco maior, na verdade) – é opção legal para variar. Esquiar é muito divertido, apesar de o começo ser penoso e dolorido. Aos inciantes recomendo paciência e perseverança. A partir do segundo dia tudo melhora!

Aqui uma dica diferente pra quem quer aprender a esquiar mas não tem tanto dinheiro para gastar. Em outro ponto do entorno de Santiago (Cajon de Maipo) há uma pequenina e esquecida estação de esqui – Lagunillas. Custa menos da metade do preço das famosas de 3 Valles, mas, claro, é bem menor e tem bem menos estrutura. De todo modo, para quem nunca colocou esquis nos pés e quer ter um gostinho sem ter que deixar as calças para pagar pode ser uma opção. Um detalhe é que ela é mais baixa, então é preciso conferir se há neve lá antes de partir.

24. Viña del Mar e Valparíso. Como se sabe, o Chile é um país imenso no sentido Norte-Sul, mas curtíssimo no Leste-Oeste. Assim, embora haja uma infinidade de cidades a serem conhecidas no país (falarei delas em outra oportunidade) elas geralmente estão a várias centenas ou milhares de quilômetros da capital. Perto de Santiago só há, mesmo, a dupla de cidades costeiras. Também a coisa de uma hora e meia de ônibus. Viña del Mar é o balneário, refúgio dos santiaguinos nos dias livres. É mais moderna. Nela há um Cassino, o Castilho Wulf, e o famoso relógio de flores construído para a Copa de 1962. Como praia, eu recomendaria Reñaca. Sim, é legal dar uma conferida no Pacífico, e notar, entre outras coisas, que ele não é nada pacífico (o mar é bravo) e ele cheira diferente do Atlântico (não me refiro a poluição, é um cheiro característico, mesmo). Mas, mesmo no verão, o mar é frio. Os chilenos até encaram a água, mas acho que é por falta de opção. Conurbada a Viña está Valparaíso, cidade portuária. Famosa pelas casinhas coloridas que povoam seus íngremes morros. É bem mais popular do que Viña del Mar, o que pode tornar o passeio mais interessante, na verdade. Nela fica La Sebastiana, outra das casas-museu do poeta Pablo Neruda. Além das nerudices que a transformam em parada obrigatória, ela oferece linda vista panorâmica da cidade.

25. Vinícolas. Estou muito longe de ser um especialista no assunto e confesso que não aproveitei tudo que a cidade oferecia nessa área, mas é fato que o Chile é um importante produtor de vinho. Há vinícolas que podem ser visitadas praticamente dentro da cidade. De metrô é fácil chegar na Cousiño Macul e na famosíssima Concha y Toro. A própria viagem de metro, que dura cerca de uma hora, pela linha 4, chega a ter seu interesse, pois, em vários trechos, o trêm vai pela superfície, possibilitando dar uma conferida na paisagem de outros bairros da cidade, fora das adjacências da Alameda e das margens do rio Mapocho. O passeio na Concha y Toro é bem bacana, inclui degustação de vinhos e visita guiada. Lá eles vão explicar como a variedade Carmenère tornou-se orgulho nacional (após ter sido extinta na Europa). Eu, pessoalmente, me tornei um grande apreciador de vinhos Carmenère.

E assim chegamos ao final da minha lista de Dicas de Santiago. Espero que seja útil aos que querem visitar a cidade e que possa ter instigado a curiosidade dos que nunca pensaram em conhecer a capital chilena.

Evidentemente faltou muita coisa. Algumas que vi mas deixei de lado e outras tantas que sequer conheci, nessa grande cidade de cerca de 6 milhões de habitantes.

Minha lista é muito pessoal, inclui os lugares que eu mais gostei de conhecer, relflete um pouco o meu olhar sobre a cidade. Se você conhece Santiago e tem outros lugares ou dicas a acrescentar, por favor dê sua contribuição no espaço para comentários.

Eu adorei a minha experiência em Santiago, fui feliz e deixei grandes amigos. Sem a menor sombra de dúvida, gosto bem mais de Santiago do que de Brasília.

….
Para ler a primeira e a segunda parte desse post: https://jovensdiplomatas.wordpress.com/2013/01/23/dicas-de-santiago-parte-1/ e https://jovensdiplomatas.wordpress.com/2013/01/24/dicas-de-santiago-parte-2/

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Sobre Helder

diplomata com alma de músico.
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6 respostas para Dicas de Santiago – parte 3.

  1. Fernando Barbosa disse:

    Só não teve as fotos heim rsrs, não pude conhecer todos esses lugares, mas no próximo retorno saberei bem mais onde ir no Chile.

    • Helder disse:

      Opa! Estou pensando em fazer, mais pra frente, um post só com as fotos, para ilustrar esse mini-guia. Mas preciso selecioná-las com calma, tenho mtas fotos de Santiago!
      Coming soon, heheh

  2. rmacedobr disse:

    Helder, estou indo para lá em julho, foi o melhor guia que encontrei até mesmo em revistas de turismo. Parabéns

  3. Pingback: Dicas de Santiago – parte 1 | Jovens Diplomatas

  4. Pingback: Dicas de Santiago – parte 2 | Jovens Diplomatas

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