Dicas de Santiago – parte 1

Em 2011 tive a excelente oportunidade de passar 7 meses em Santiago do Chile, estudando na Academia Diplomática Andrés Bello. Posso dizer que me encantei pela cidade e aproveitei muito o tempo que vivi lá!

Já que sempre me pedem dicas de Santiago, resolvi compilá-las aqui.

Então vamos lá, começando pela parte central e pelos pontos mais conhecidos da cidade: coisas para fazer, ver ou visitar em Santiago – parte 1.

1. La Chascona – a única das três casas-museu do poeta Pablo Neruda na capital chilena.  As visitas são guiadas, em inglês ou espanhol. Boa oportunidade para conhecer melhor o universo e a história desse fantástico artista e político, que imprimia sua personalidade criativa e divertida em cada pequeno detalhe de suas residências.

2. Cerro San Cristóbal – Imenso parque em uma montanha no meio da cidade. Logo na base há uma feirinha. Um trenzinho (funicular) leva os turistas ao topo, de onde podem ter excelente vista da cidade e da Cordilheira dos Andes. Há também um zoológico e o simpático Jardim Japonês. No cume há uma Virgem, talvez numa tentativa de imitar o conceito do Cristo Redentor no Rio (embora a versão chilena seja menos imponente). Para os esportistas, é possível subir o Cerro caminhando, ou de bicicleta — mas é esforço físico para todo um dia. Recomendo aproveitar a ocasião e tomar o mote com huesillos, uma bebida típica e muito diferente!

3. Cerro Santa Lucía. Brotando da Alameda Bernardo O’Higgins, a via mais famosa e importante da cidade, um morro repleto de jardins e palacetes. Para subir a pé e ir aproveitando as diversas pracinhas que aparecem a cada lance de degraus. Ótima vista no topo, também.

4. Palácio de La Moneda. O famoso palácio presidencial, construído ao final do período colonial para abrigar, como o nome sugere, uma espécie de casa da moeda. Rodeado por um enorme pátio à frente e por uma simpática pracinha atrás. Embaixo há um centro cultural e um ótimo restaurante. Em determinados horários, é permitida a visitação ao interior do Palácio. A cada dois dias, às 10h da manhã, ocorre a cerimônia de troca da guarda do Palácio. Pessoalmente, sempre me arrepio ao vê-lo e pensar que ele foi palco de uma das cenas mais insanas da história política latino-americana — o bombardeio aéreo pelas forças armadas do próprio país, em 1973, que culminou com o suicídio do Presidente Salvador Allende e o início do regime Pinochet.

5. Plaza de Armas – O antigo centro da Santiago colonial. Ali estão a Catedral Metropolitana e o Museu Histórico Nacional, no prédio que um dia serviu como sede da administração da cidade. Há muitos artistas de rua se apresentando nessa área. Dependendo do dia é possível ver números de dança, de comédia, mágica, música e até belas pinturas com giz no chão em frente à Catedral. Sempre há vendedores de artesanato e caricaturistas à disposição. Se estiver no espírito de provar as tradições chilenas, aproveite e coma aí um completo (cachorro-quente) con palta (abacate).

6. Barrio Paris-Londres. Apenas duas ruazinhas partindo do Museu Colonial San Francisco e da Igreja de São Francisco, também ao lado da Alameda, um pedacinho de charme europeu na capital chilena. Pelas ruas curvas, cobertas com paralepípedos, encontramos a sede do Partido Socialista do Chile e também da coligação de esquerda que governou o país por 20 anos depois da volta à democracia – a Concertación de Partidos por la Democracia. Temos aí, também, o museu Londres 38, edifício dedicado à memória da repressão, por ter servido como câmara de tortura durante a ditadura. No chão da rua, em frente, há o nome de desaparecidos políticos gravado em plaquetas que se misturam com os paralepípedos. Nessa área há muitos albergues e até um simpático café com mesas na rua.

7, 8 e 9. Mercado Central, Parque Florestal e Palácio de Bellas Artes. Bordeando o rio Mapocho, um parque formado por sucessivas praças e jardins arborizados que se estende desde o Mercado Central até o Museu de Bellas Artes.  No Mercado Central, além dos mais diversos tipos de peixes e frutos do mar, há muitos restaurantes, entupidos de turistas brasileiros em busca da iguaria típica – a Centolla. O enorme caranguejo de águas frias, que tem sabor próximo ao da Lagosta, é servido inteiro na mesa. Preparado al pil-pil (ao alho e óleo). É uma delícia, mas é caro! Acompanhe-o com o drink típico, o pisco sour, umas espécie de caipirinha chilena, feita a base de pisco, um aguardente de uva. Em frente ao Museu de Bellas Artes, há uma divertida escultura de um cavalo gordinho, do artista colombiano Fernando Botero.

10. Barrio Bellavista. No pé do Cerro San Cristóbal, o bairro boêmio da cidade. Na verdade, duas ruas paralelas concentram quase todos os bares e restaurantes dessa área – a Pio IX e a Bellavista. Há o famoso Pátio Bellavista, espécie de praça de alimentação entre as duas ruas. Recomendo o bar Backstage, no qual, além de ótima carta de cervejas chilenas (prove a Kunszman Torobayo e a Austral Calafate Ale), há ampla variedade de comidas. Nos fins de semana, há ótimas bandas se apresentando de noite. Em frente ao Pátio, está o Bar Constitución, uma das mais famosas baladas da cidade. Na região há outros ótimos restaurantes – o Como Água Para Chocolate é um queridinho dos turistas.

11. The Clinic – The Clinic é um tablóide de sátira política e humor muito inteligente, ácido e popular. Eles também têm um bar e restaurante no centro da cidade. Bom ambiente, decorado com fotos de políticos e frases antológicas de personagens chilenos. Vale uma visita.

12. Cafés com piernas e paseos. Há vários espalhados pelo centro. Dizem os locais que são uma maneira de contrabalançar a rigidez moral da sociedade chilena. Basicamente são cafeterias normais nas quais as atendentes sempre são moçoilas em trajes módicos. Há alguns X-rated, digamos, mas esses estão escondidos em galerias e têm suas vidraças revestidas de insufilm. Sugiro parar em um café com piernas depois de um passeio pelos paseos do centro de Santiago, ruas planas fechadas para automóveis, como o Paseo Ahumada e o Paseo Huerfanos. Vários desses paseos culminam na Plaza de Armas.

13. La Peluqueria Francesa – Boulevard Lavaud. Antiga barbearia francesa, localizada na parte velha de Santiago, transformada num ótimo restaurante que mantém a decoração do século XIX. Esse é um achado que escapa à maioria dos turistas. O cardápio é um simpático jornalzinho que inclui um mapa dos pontos turísticos do bairro Yungay e conta a história do estabelecimento e de parte da cidade. A comida é ótima!

14. Ex-Congresso e Academia Diplomática. Pinochet não gostava muito da companhia dos parlamentares e resolveu transferir o Congresso para a cidade de Valparaíso. O antigo palácio está preservado e fica ao lado da Plaza de Armas. Em frente, outra bela construção do século XIX, o Palácio Edwards, sede da… Academia Diplomática do Chile!

Em breve volto com mais dicas de Santiago. Tentarei, também, dar um jeito de disponibilizar fotos de tudo que descrevi! Até mais!
….
Para ler a segunda parte: https://jovensdiplomatas.wordpress.com/2013/01/24/dicas-de-santiago-parte-2/

Para ler a terceira parte: https://jovensdiplomatas.wordpress.com/2013/01/24/1599/

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Sobre Helder

diplomata com alma de músico.
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4 respostas para Dicas de Santiago – parte 1

  1. Fernando Barbosa disse:

    Realmente, visitou o melhor de Santiago!

  2. Graciete disse:

    Dicas excelentes! Na próxima vez em Santiago estou seguro que tirarei melhor proveito da cidade!

  3. Pingback: Dicas de Santiago – parte 2 | Jovens Diplomatas

  4. Pingback: Dicas de Santiago – parte 3. | Jovens Diplomatas

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