Mbanza – Kongo

Foi pela embocadura do grande rio Congo, cujas águas penetram no oceano atlântico por mais de 15 quilômetros, que o explorador português Diego Cão, em 1482, penetrou pela primeira vez no território do Reino do Kongo,  espaço cultural de origem banta que, centralizado politicamente desde o seculo XIII, chegou a ir do noroeste de Angola ao sul do Gabao. Tinha como vizinho interior o reino Teké (cuja capital N’be’ localiza-se a 30 km de Brazzaville).

 

A dificil navegacao durou apenas alguns dias, impedida pelos grandes desníveis no leito do rio,  e permitiu o primeiro contato com os kongoleses. Retornando ao oceano, a expedição navegaria até a baía de Luanda, retornando à Portugal. Em 1486, Diego Cão voltaria para os primeiros contatos oficiais com os chefes da regiao do Soyo.  A  influencia lusitana levaria à conversão do Mani (rei) do Kongo, Nzinga Mbemba, seguida de toda a elite do reino, ao catolicismo, na grande expedicao de 1491. 

Por volta de 1545, ano da chegada dos primeiros missionários jesuítas ao país, todo o reino do Kongo encontrava-se já irremediavelmente relacionado ao esquema, já generalizado e em exponencial expansão,  do tráfico negreiro. O hediondo sistema, dez vezes mais lucrativo do que a segunda mais rentável atividade (o comércio do marfim), alastrou-se tão vertiginosamente que da captura em tribos vizinhas logo passou a atingir as famílias da nobreza kongolesa. Talvez tenha sido de um porto especifico, no reino vizinho de Loango, (onde hoje existe um pequeno e descuidado museu), na atual cidade de Ponta Negra, que, nas naus portuguesas, tenham sido embarcados, a ferro e fogo, literalmente,  os primeiros escravos negros que aportaram no Brasil, no início do século XVI. 

A relação do Reino do  Kongo com Portugal, baseada no fornecimento de milhares de  escravos aos entrepostos da zona costeira, em troca de armas, manufaturas européias e cachaça brasileira, enfraqueceu, demográfica, econômica e moralmente, de forma trágica, o mundo  kongoles. Atacado pela tribo guerreira dos Yakas, em 1569, o Mani Kongo viu-se obrigado a pedir socorro à Dom Sebastião, o lendario soberano do Império português. Os cerca de 600 soldados lusitanos repelem a invasão Yaka, mas, em contrapartida,  ocupam em definitivo o reino do Kongo. Em 1576, Portugal constrói o estratégico forte de Luanda. Era preciso assegurar e ampliar o fornecimento da massa escrava cujo comércio enriquecia transportadores e atravessadores, garantindo ainda o funcionamento da agroindústria açucareira no nordeste do Brasil.

 

Fontes: 
Histoire Générale du Congo des origines à nos jours. II. Le Congo moderne. Théophile OBENGA, L’Harmatan, 2010.
Reis Negros no Brasil Escravista. Marina de MELLO e SOUZA, Humanitas,2006.
civilizacoesafricanas.blogspot.com (imagens)
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2 respostas para Mbanza – Kongo

  1. Pedro Arthur disse:

    Pena que a Lei 10.639/03 (ensino da história e cultura africana nas escolas) chegou tarde demais pra mim! Mas acho que nunca é tarde pra aprender. Obrigado pelo post! Hoje dormirei um pouco mais culto

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