Às portas do Islã

Frankfurt, dez da manhã. Vestidos de branco, ajoelhados sobre tapetes em uma das muitas salas de espera do aeroporto internacional, os homens rezam. Sento-me ao seu lado. Após doze horas de vôo vindo de São Paulo, a sensação é de que o Islã emite sinais e se aproxima.

Testas mergulham rumo ao solo em movimentos ritmados. Ocidentais circulam pelo saguão. De repente, os devotos de túnicas brancas terminam a prece, levantam-se e formam uma fila em frente ao guichê de embarque, acompanhados por crianças e mulheres de trajes longos e coloridos. Caminhamos juntos rumo ao vôo Frankfurt-Jeddah-Cartum e decolamos.

Cinco horas mais tarde, Jeddah: cidade da Arábia Saudita às margens do Mar Vermelho, metrópole que, para minha surpresa, irrompe por entre as nuvens. Vejo luzes de automóveis cortando viadutos, navios a deixar o porto, obeliscos perfilados junto a arranha-céus e edifícios. O avião pousa. Os peregrinos (pois agora sei que os homens de branco são muçulmanos rumo a Meca) descem, deixando atrás de si um avião quase vazio. E voamos, novamente.

Cartum, capital do Sudão, está a menos de uma hora de nós.

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Sobre krishnamonteiro

Diplomata brasileiro servindo no Sudão.
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