Candongueiro

 

 

A travessia do deserto do Sudão; uma viagem pelos grandes lagos africanos; as esquinas de Maputo, em Moçambique, ou a grama verde dos parques de Johanesburgo; encontros com personalidades das mais diversas: missionários, contraventores e até o escritor Mia Couto. E, onipresentes, as estradas africanas, numa jornada de seis meses entre a África do Sul e o Egito.

Esse é o tema de “Candongueiro: viver e viajar pela África”, do jornalista da BBC-Brasil João Fellet. Após um ano residindo em Angola, o autor decidiu se lançar numa longa jornada continente adentro. Durante meses, manteve um blog com “flashes” sobre o que encontrava, via e vivia pelo caminho. O projeto acabou gerando o livro, talvez um dos pioneiros num campo ainda pouco explorado no Brasil: os relatos de viagem.

Trazer uma “visão brasileira” sobre a África é um dos muitos méritos deste livro. A tradição dos grandes relatos de jornadas pelo mundo foi construída por autores de peso: dos ingleses do século XIX, como Richard Burton, até contemporâneos como Paul Theroux e Ryszard Kapuscinski. Fellet se inspira e bebe claramente na fonte de clássicos como “O Safari da Estrela Negra”, que descreve um viagem similar, e “Ébano: minha vida na África”. Mas o faz recuperando ecos de nosso país, reconhecendo sinais do Brasil a cada esquina. Demonstrando, como diz em um trecho do livro, que viajar pelo exterior é também empreender uma longa descoberta de si mesmo.

“Candongueiro” é expressão de uma nova tendência: a de um Brasil cosmopolita, curioso, aberto ao mundo e orgulhoso de suas origens africanas. Aborda temas idênticos ao deste blog, e, por isso, inaugura nossa seção de resenhas.

Em meu dia-a-dia na Embaixada do Brasil no Sudão, uma das coisas que mais me fazem feliz é quando um visitante brasileiro bate às nossas portas. Ultimamente, muitos deles tem sido viajantes que lembram os Burtons, os Theroux ou os Kapuscinskis do passado: jovens com uma idéia na cabeça e uma mochila às costas, singrando desertos e savanas, fotografando, vivendo, tomando notas, colhendo matéria-prima para seus relatos. Que sejam bem-vindos todos esses candongueiros. E que se multipliquem.

Abaixo, algumas das fotos do livro, cedidas pelo autor.

Aldeia nos arredores de Dire Dawa, Etiópia

 

Meninas em Kapoeta, Sudão do Sul

 

Ritual sufi, Cartum, Sudão

 

Camponesas na província angolana de Kuango Kubango

 

 

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Sobre krishnamonteiro

Diplomata brasileiro servindo no Sudão.
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2 respostas para Candongueiro

  1. Pedro Arthur disse:

    Onde eu compro? hahaha
    deve ser interessantíssimo
    Gostei da idéia de posts-resenha, estou ansioso pelos próximos

  2. Jorge Omar disse:

    Muito bom o livro. Leitura fácil e gostosa.

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